segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

17 de Dezembro

Depois de um fim-de-semana relaxado e com um sabor diferente chegaram os últimos dias em território polaco. Papéis para tratar, quarto para esvaziar e tempo para fazer as “ultimas coisas”. Comer algo pela última vez, ir a um lugar pela última vez, ver alguém pela última vez. No último dia disse adeus a todos sem nenhum deles dar conta e saí daquela universidade na esperança de nunca mais voltar. Sim, é isso mesmo. Capítulo encerrado!
E foi a 17 de Dezembro que percorri mas uma vez o trajecto Szczecin – Berlim, desta vez para apanhar um voo sem volta para Lisboa. Deixei Berlim com -5ºC e aterrei em Lisboa com 18ºC. Claro que na Guarda a história é outra…

Uma ajudinha?

E qual é a melhor maneira de carregar aquela tralha toda até Berlim?
Resposta: Arranjar 3 polacos amigos, que por serem sempre tão cavalheiros não me deixaram carregar nada do meu quarto ao carro, deram-me boleia até ao autocarro, e ainda me carregaram as malas até à bagageira. Em Berlim foi só arrasta-las uns 10m até à carrinha de transportes.
E eu tão preocupada…

sábado, 26 de dezembro de 2009

11 de Dezembro

O grande dia
Ao contrário do que esperava… dormi. Vesti o meu fato catita e nem me reconheci ao espelho.
Com nervoso miudinho, vi aquela sala fria e vazia encher-se aos poucos. Colegas da universidade e alguns professores. Vi o júri sentar-se e vi um chairman diferente do de há 3 dias atrás. As expectativas eram altas… seria ele diferente e mandão como o anterior?
Não esperei muito para perceber que não… este era apenas engraçado sem o querer ser. Começou por tratar-me por madame Sara Danieli (no papel estava escrito Daniela, juro!). Fê-lo tantas vezes durante o texto introdutório que tive que fazer esforço para não me rir. Quando passámos à apresentação do júri externo, um elemento português, este foi introduzido como Joau Nabé. Desta não contive o riso, pelo que o senhor achou que devia tentar compôr o seu erro dizendo “lamento, mas o meu espanhol não é muito bom”. Pois… foi preciso um esforço quase Herculano para me concentrar no que estava ali a fazer e fazer a minha parte.
Respirei fundo e durante 1h45m apresentei, ouvi o júri, respondi ao júri sem ninguém ser mandado calar, ouvi e respondi várias perguntas dos professores do público e finalmente respirei fundo novamente.
Durante 30 minutos esperei a volta do júri. Quando voltaram aquela sala, ouvi do senhor engraçado que madame Danieli (como fui chamada o resto dos meus dias naquela cidade) era agora doutora Danieli.
Depois disso foi o almoço formal com o júri, chazinho no gabinete da boss como só os convidados especiais tinham feito até então (tive direito a que ela lhe limpasse o pó e tudo, ao fim de 6 meses!), uma tour pela cidade com dois dos Joões da minha vida (faltava o João afilhado), o jantar com os amigos e colegas, e… não me lembro demais…
Consta-me que estava muito alegre e animada, que chorei umas lagrimazitas, que tive conversas interessantes com pessoas ainda mais interessantes e que quando vi o meu prédio novamente fiquei tão feliz como se tivesse visto um pastel de nata gigante… consta-me…

10 de Dezembro

Como manda a tradição, saí para um belo jantar e para beber umas cervejas… para relaxar para o dia de amanhã!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

8 de Dezembro

Fui ao circo
A poucos dias da minha defesa decidi sair de casa e ir assistir a outra, ainda que em polaco (apesar de falar bastante polaco os termos técnicos e formais ainda me escapam). A pessoa a ser avaliada era um rapaz polaco, muito certinho e que se diz/julga perfeccionista. Nos dias antes nunca mostrou nervos e de cada vez que lhe perguntávamos o que sentia escondia o sorriso, mostrava um ar sério e dizia que estava mais que preparado. Eu sempre acreditei, até porque o relatório do júri é público, o que dá acesso aos doutorandos às perguntas da defesa cerca de 1 mês antes. Não é totalmente injusto visto que existe uma comissão de cerca de 25 professores sentados no público que geralmente faz perguntas, essas então desconhecidas pelos candidatos.
Sentada na plateia assisti à sua defesa. O júri composto por 4 pessoas fazia-me rir. Pareciam bonecos com molas na cadeira, que saltavam de cada vez que queriam falar. A estrela principal foi sem dúvida o director do departamento, ou o chamado chairman. De cada vez que alguém se levantava ele levantava-se também. Apercebi-me que seguia regras restritas e na minha opinião idiotas. O candidato apresenta. De seguida os jurados lêem o relatório. Depois o candidato pode responder às perguntas. Se algum dos jurados quiser ripostar tem que esperar pela sua vez de falar, que é no final de todas as respostas. Isto leva a que não exista discussão, o que me desilude um pouco. Isto levou a algumas situações engraçadas. Isto e outros tipos de comportamento…
Situação A
Jurado 1 quis ripostar a meio das respostas.
Director manda-o calar.
As respostas acabam e jurado 1 tenta falar outra vez.
Director manda calar jurado 1 pela segunda vez
Director pergunta a jurado 1: “está satisfeito com as respostas?”.
Jurado 1 responde não e começa a tecer comentários.
Jurado 1 é mandado calar pela terceira vez.
Director pergunta o mesmo ao jurado 2.
Director dá finalmente a palavra ao jurado 1. Ao mesmo tempo o seu telemóvel começa a tocar.
Jurado 1 fala por uns momentos e o telemóvel do director toca novamente.
Jurado 1 termina e o director dá a palavra ao jurado 2.
O telemóvel toca novamente.
Director atende… Sim o mesmo que para fazer respeitar as regras mandou calar um jurado 3 vezes!
Situação B
1h depois de a defesa começar abre-se a porta… entra um professor e senta-se.
10min depois começa a fazer perguntas…
Situação C
O rapaz certinho, também conhecido como candidato afinal tinha copiado gráficos do colega, já publicados anteriormente. O colega revolta-se e começa-lhe a fazer perguntas às quais o candidato não sabe responder. Mais tarde o orientador dos dois vai falar com o colega revoltado e diz-lhe que não tem nada que reclamar pois os dados são públicos e podem ser usados posteriormente. Claro que sim… mas nunca numa defesa e mostrados como se fossem novos. Nunca deve ter ouvido falar de direitos de autor…
Os comentários no final disseram que o candidato (o rapaz certinho) não respondeu a metade das perguntas (aquelas que tinha há um mês), porque não sabia (num mês devia ter dado para pelo menos para ir ao Google ou à wikipédia… digo eu. Já nem falo que podia ter discutido as respostas com outros cientistas). A perguntas do público respondeu que não estava preparado para responder a perguntas (tipo… inventas qualquer coisa? Dá sempre para dizer qualquer coisa). No final passou… com honra e distinção…
Depois de tudo isto só tenho medo de uma coisa na minha defesa… de me desatar a rir e não conseguir parar!

Actualizando...

Sei que há muito não actualizo este blog. Falta de tempo, acontecimentos importantes e muita coisa para organizar são as razões desta ausência. Em vez de contar tudo num (demasiado) longo post, decidi contar aos poucos.
Posso no entanto antecipar, que o fim deste blog está para breve…

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

The final countdown

Por aqui espera-se.
Lê-se.
Prepara-se tudo.
Pensa-se já na festa.
Nesse dia.
Adivinham-se perguntas e respostas.
Aproveita-se o liberdade de já não depender do horário 9-17.
Mas sobretudo... contam-se os dias, as horas e os minutos que faltam para finalmente sair daqui.

Packing

Passei o fim de semana a limpar a tralha que juntei durante 3 anos. A mania de guardar as caixas de tudo o que compro, incluindo sapatos, fez a senhora da recepção olhar para mim de soslaio as três vezes que lá passei a braços com as milhentas caixas que deitei fora. Acho que até desconfiaram que eu andava a desmontar a mobilia e a transporta-la aos poucos.
Depois da limpeza a fundo veio o empacotamento das tralhas. Eu devia entrar para o guiness pela quantidade de roupa que consegui meter numa mala. A minha cara de sofrimento ao tentar fecha-la também deve ter sido interessante. Mas com certeza não tão interessante como a minha cara de alegria quando descobri o fecho mágico que faz aumentar a mala uns 10cm, pelo que ainda consegui lá enfiar mais umas 374092 camisolas. No entanto esta cara ainda não foi tão interessante como a que devo ter feito depois de fechar a mala e me aperceber que me tinha esquecido de lá enfiar o quadro com fotos que me foi oferecido pelo pessoal de Évora.
Ainda não tive coragem de a abrir outra vez, mas vai ter que ser um dia destes.
Ainda alguém me há-de dizer como é que vou carregar uma mala gigante, um saco de desporto cheio, uma mochila cheia de livros e os skis até Berlim...

Aprender a lição


Quando se faz intenções de viver uma vida nómada a pular de país em país, não se devem carregar quantidades astronómicas de roupas, sapatos e outros tarecos desnecessários...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

E a saga continua

Chefe- É sempre o mesmo problema com todos os Phd. Querem sempre fazer apresentações maiores.
Eu- Então se calhar está na altura de os professores aceitarem isso e deixarem os alunos apresentarem o seu trabalho decentemente.
C.- Não, os professores não querem ouvir mais que 15 minutos. Aborrecem-se. E esse tempo chega perfeitamente.
Eu- Como é que 15 minutos podem chegar para mostrar 3 anos de trabalho, se ainda por cima se exige uma introdução ao tema de 5 minutos?
C. Na Polónia é assim e pronto.
Eu- Eu não concordo.
C.- Não tens que concordar, tens que fazer assim e acabou.
E mai nada... E acho piada aos outros dois de ontem a dizerem que estava demasiado complicado para eles entenderem. Deiam-me mais tempo e eu explico tudinho...
Alguns de vocês poderão passar que é exagero meu. A verdade é que estando por fora não faço ideia de como isto soa a quem está por fora, mas se fosse em Portugal eu poderia falar durante 45 minutos, o que seria perfeito. Andar 3 anos a escravatar resultados para depois não os poder mostrar no juizo final, é como preparar um espectaculo de 2 horas e ser chamada a fazer 5 minutos.
Acho que a palavra é frustrante! Muito!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

The polish way

Hoje aconteceu algo engraçado que penso que mostra a mais pura essência polaca. Obvio que vou generalizar, mas obvio também é que isto não se aplica a todos. Os polacos têm uma têndencia natural para exagerar. Tudo é em grande, seja bom ou mau. Se puderem evitar fazer algo, não o fazem, nem que seja levantar o rabo da cadeira para fechar uma janela.
Na semana passada foi-me dito pela chefe que esta semana teria um ensaio da minha apresentção. As Indicações foram claras: "vão lá estar todos os professores do departamento, vão-te fazer notar coisas menos boas na tua apresentação e sobretudo vão fazer imensas perguntas para testar o teu conhecimento. Já sabes o que as pessoas perguntam sempre mais sobre a parte da biologia e dos ratinhos e dos testes em humanos, por isso lê muito e prepara-te."
Depois de lhe ter chamado n nomes mentalmente, lá perguntei: se isto é algo tão importante, para o qual tenho que me preparar quase como se fosse já o dia final, por que raio é que só sou informada com menos de uma semana de antecedência? Havia mil respostas aceitáveis para esta pergunta, e ela escolheu a que eu mais esperava vindo dela... ah, esqueci-me!
Lá tive que preparar tudo mais ou menos a correr. O pior mesmo foi ter passado o fim de semana inteiro a ler um livro sobre reactores que ela me aconselhou, e que só domingo à noite percebi que se tivesse ido à wikipédia teria aprendido o mesmo e em 2h.
Finalmente chegou o dia... hoje. Sentia-me preparada como se fosse a discussão final. Mas não estava definitivamente preparada para a situação que me esperava. A apresentação correu bem só achei que fazia muito eco no vazio daquela sala preenchida com... 3 pessoas! Uma delas a minha chefe!
E os outros dois, entre o professor nervoso que olhava para o relógio de 2 em 2 minutos e o outro mais jovem que não parava de bocejar... não sei o que foi pior. As perguntas essas... não as vi... nem ouvi. Fizeram alguns comentários claro. Quase que foram obrigados a isso, pois seriam eles ou ninguém. E de entre os comentário não consigo escolher o favorito entre o "não gosto muito do fundo, acho que deveria ser branco" e o "acho que devias adicionar o nome do departamento no primeiro slide".
Houve ainda o "acho que a apresentação está demasiado completa, devias cortar coisas". Isto é a minha defesa de doutoramento e está demasiado completa??? E o senhor continuou dizendo "eu percebo que queiras mostrar tudo o que fizeste, mas nestas coisas tens que fazer um sumário". E eu respondi "Isto está longe de ser tudo o que eu fiz e já é um sumário". Ele viu isto como um desafio e pediu-me para ir slide por slide para ele me dizer onde eu podia cortar. Chegamos ao ultimo slide e... nada! Ele não conseguiu cortar nada! I told you so...
Quando todos saíram e fiquei sozinha naquela mesma sala estava mais frustrada que nunca. Não só não me tinham ajudado em nada, como ainda tinha modificações para fazer com as quais discordo absolutamente. E não foi assim que eu imaginei a minha apresentação. Penso que acima de tudo deveria ser uma coisa personalizada, ao meu estilo.
Na verdade quem me conhece pode adivinhar o que vem a seguir. Os riscos são para correr, e o meu estilo vai continuar a estar lá. Se é demasiado vivo e energético para os polacos? Quero lá saber. Depois desse dia não os vou voltar a ver e pode ser que aprendam a dissolver aquelas nuvens cinzentas que os rodeiam todos os dias.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Contagem decrescente

Houve uma altura que cada vez que ia acontecer algo eu fazia uma contagem decrescente no messenger. Não sei bem porquê mas deixei-me disso. Deixou de ter piada. Além disso nesta altura podia fazer tantas contagens decrescentes que não havia espaço para tudo!
T=-1 dia para o ensaio geral (é, aqui faz-se um ensaio geral da apresentação final para toda a gente. O meu é amanhã!!)
T=-3 dias para terminar o meu contrato (Iuupi)
T=-7 dias para eu fazer anos (os que acertarem onde vou passar este dia ganham chocolate polaco. Pista: é muuuuiiito fácil!)
T=-x dias para a minha defesa!!! (é segredo...)
T=-22 dias para deixar a Polónia de vez!
T=-3 meses para mudar de país!!!! E não, não é Portugal.
E já chega...

Migração Polaca


Confesso que nunca tinha assistido aos movimentos migratórios dos polacos. Por motivos de força maior (tinha que estender a roupa), hoje tive que vir a casa durante o horário de trabalho. Quando voltei à universidade estavam o caos e a loucura instalados nas ruas! Um molho de gente a sair da universidade, os carros faziam fila, até na rua principal havia transito!!! Que loucura, pensei! Parecia que tinham sido abertas as portas das celas na cadeia. Ao ver aquele ar de felicidade na cara dos polacos, lembrei-me logo que eram 3h da tarde! Depois de atravessar o parque de estacionamento, subir ao 4º andar e chegar ao gabinete dou-me conta que eram nessa altura... 14h55.
A isto se chama pontualidade polaca!

domingo, 22 de novembro de 2009

Edimburgo (outra vez?!?!?!)

Já começo a ser chata... raio da cidade. Cada vez que lá vou gosto mais e mais. Na primeira visita achei que tinha ficado tudo visto. Da segunda vez pensei exactamente o mesmo. E não é que na terceira não me cansei de ver coisas novas? Desta vez tive algum tempo sozinha e transformei-me num turista típico. Fui a museus, ao castelo, comi o pequeno-almoço escocês, e molhei-me... claro.
Adoro aquelas ruas e aquela sensação de estar numa cidade encantada. Não tão encantada como Oxford, mas ainda sim muito misteriosa. O we will rock you estava por lá e eu fui ver (outra vez!). Se pudesse via-o todas as semanas. Adoro a história e a maneira comos as canções são interpretadas. O Ricardo Afonso, português que foi durante cerca de dois anos a estrela principal já foi substituído e tive pena de não o ver novamente. Achei que ele era melhor que o seu substituto.
Além disso foram as habituais Sagres, no pub pequenino naquela esquina, onde eles só vão quando eu lá estou e ainda... bacalhau com natas! Sim, um bacalhau muito viajado que veio de Portugal para aqui, e depois voou para Edimburgo.
Foi o máximo! E choveu muito pouco!
Castelo de Edimburgo
Vista sobre a cidade
Boneca feita a partir de um sapato velho. Museu da Infância (gírissimo!)
A pior cerveja que já provei, mas que segundo me consta se deve beber pelo menos uma vez na vida... por causa do copo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Primeiro de Novembro

O 1º de Novembro é celebrado na Polónia com ainda mais intensidade que em Portugal. No fim de semana anterior toda a gente vai para o cemitério limpar as campas e os caminhos em volta. No próprio dia, enfeita-se tudo com flores e sobretudo muitas velas. Obvio que isto proporciona o negócio e nas várias portas para o cemitério montam-se tendas para vender não só flores e velas, como também rebuçados, bolos e até sandes. A minha casa fica próxima e pude observar as pessoas que pareciam formigas, nos passeios, em filinha, cheias de sacos a dirigirem-se para lá. Tentei chegar lá perto, mas a multidão de gente era que nem na feira de manhazinha e desisti.
O que não deixei de fazer foi de ir lá ao cair da noite. Sim, fui sozinha e não, não tive medo! O cemitério neste dia fecha mais tarde e mesmo à noite está cheio de gente. Quando fica escuro vêm-se então as centenas de pontos luminosos, que são as velas. Há quem diga que já não é o que era. Que há uns anos atrás se acendiam muito mais velas e que parecia um mar luminoso. Ainda assim, vale a pena ver e admirar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Outono em Szczecin




Cerimónias e mais cerimónias


Os polacos adoram festas, cerimónias e qualquer outra desculpa para não trabalhar (um pouco à semelhança dos portugueses). No entanto penso que aqui eles gostam mais de hierarquias e só na universidade há um sem numero de posições que não existem em mais lado nenhum. Como tal, pelam-se por uma boa cerimónia de entrega de prémios, diplomas ou qualquer coisa que sirva para mostram o quanto são bons ou evoluiram.
Tal como em Évora, uma vez por ano existe a entrega de diplomas. Fomos todos convidados a assistir e lá fui eu. Esperava encontrar algo semelhante a Portugal, já que a maioria vai buscar diplomas que já ganhou há meses. Mas não! Claro que não! Havia coro! Havia palco! Havia fatiotas catitas! E não estou a falar dos convidados. No palco havia cadeiras e no chão uma passadeira... verde (deve ter desbotado). O reitor, vice reitor, e reitorzinhos (sao estes os cargos que não existem aí) entraram pela porta traseira, passaram na passadeira verde, com o seu ar sério e com fatiotas engraçadas. Claro que a do reitor era a melhor, e o senhor vestia nada mais nada menos que... pele de coelho! A cor das vestes também varia com a importância e todos tinham um chapéu com 3 bicos. Não me contive a rir... so me faziam lembrar elves com as suas orelhas pontiagudas! Então com aquele are serio, a fazer um discurso sério... e com orelhas de elves. Cada diplomado tinha também uma veste preta e o mesmo chapeu engraçado.
O reitor também tinha um bastão decorado na mão (deve ter sido usado para matar os coelhos das peles) e a cada diplomado ele tocava com o bastão no ombro em sinal de benção.
Fartei-me de rir com alguns, pois o senhor era baixinho e às vezes lá tinha que se esticar todo. Mas admiro o seu ar e postura superior que nunca largou, nem sequer em bicos de pés. Os primeiros 5 minutos foram engraçadissimos, mas aquilo durou mais de 1h e nós em pé já estavamos que nem podiamos.
Se soubesse que ia ser tão engraçado teria levado a maquina fotográfica. Mas não fazia ideia...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A dura realidade

O comentário de um sueco no meio de uma estação de comboios polaca:
"Parece que estou a viver há 30 anos atrás. E ainda dizem que ainda não se pode viajar no tempo!!"
E não levou mais de 30 minutos em território polaco a concluir aquilo que eu andava a tentar evitar a admitir a mim própria.

Podia ter sido em Portugal? Podia!

Conversa com a boss antes da entrega da tese:
Eu- E posso imprimir frente e costas como a tua?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá.
Eu- E é preciso aquelas listas de figuras e abreviaturas e afins?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá.
Eu- E regras para o tamanho de letras e assim? Ou para a capa?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá.
Eu- Ok. Mas pelo menos sabes quantas cópias tenho que entregar?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá. (nem isto?!?!?!?!)
... silêncio por uns instantes...
Boss- Se quiseres pergunta ao P. Ele sabe para onde ligar.
Ok! Got the message! Não sabes e nem estás interessada em saber!
Pergunto ao meu colega P. que me diz que procura na net. Ligar? Isso não, que depois tinha que levantar o rabo da cadeira, ir ao secretariado, e pegar no telefone e tal. Lá encontrou uma página na net cheia de regras para tudo e mais alguma coisa. Assustada com tanta coisa lá lhe peço para traduzir. Ao fim de 15 minutos a tomar notas pergunto-lhe:
Eu- E será mesmo necessário isso tudo? Achas que são regras que toda a gente segue ou são mais como sugestões?
P.- Não sei! Isto nem sequer é para a nossa universidade.
Eu- What??? Mas estive eu para aqui a tomar notas para nada?
P.- Não! As regras devem ser as mesmas para a Polónia inteira.
Eu, a duvidar bastante disso, mas estando neste país nunca se sabe- Tens a certeza?
P.- Certeza não tenho, mas deve ser. Diz ele voltando a pôr os fones nos ouvidos e voltando para o filme que eu lhe interrompi (sim, durante o trabalho...)
Ok. Got the message! Também não queres saber lá grande coisa. Peço a alguém uma tese do ano anterior, mesmo em polaco, para comparar com as regras. Comparo ... eram diferentes como o preto e o branco!
Decidi pedir ajuda aos colegas de gabinete, que simpáticos como são não hesitaram em discutir para onde é que raio haveriam de ligar. Que fique aqui claro que se eu pudesse teria ligado eu mesma. Mas nem sabia para onde, nem o meu vocabulário chegaria para perguntar o que queria saber, principalmente ao telefone onde é mais dificil entender as pessoas. Eles decidem ligar para o secretário dos estudantes de doutoramento.
Colegas- Tens informações sobre blá blá blá?
Secret.- Não!
C.- Mas eras tu que devias ter, não?
S.- Provavelmente!
C.- Mas não tens?
S.- Não.
C.- Nem queres procurar saber?
S.- Para quem é isso?
C.- Para a Sara.
S.- Ah, ela não está sobre a minha custódia, porque os processos dela não passam pelas minhas mãos!
C.- Mas isto é uma informação útil a todos, não só para ela!
S.- Pois, mas agora é ela que quer saber.
Gostava de saber o que teria acontecido se tivessem ligado outra vez em nome de outra pessoa qualquer. Mas eles não têm o meu sentido de humor e não o quiseram fazer. Eu, já sem saber a quem recorrer decido fazer um inquérito a pessoas que já tinham .concluído doutoramento aqui Desisti à 5ª pessoa! Todos eles me respondiam com imensa certeza "claro que há regras e deves segui-las" e a seguir davam-me informações completamente diferentes.
Isto não está a correr bem, pensei. E nesse mesmo momento decidi mandar tudo às urtigas, formatar o trabalho como bem me apetecesse e logo se via. Até por que me restava apenas o resto do dia e ainda tinha várias coisas para fazer. Ainda assim precissava mesmo de saber o numero de cópias a imprimir...
No meio dos meus pensamentos lá regresso ao gabinete. Alguém teve aideia de ligar à secretária do director. Se é ela que recebe as cópias, ela deve saber estas coisas. Mais uma vez um dos meus colegas liga-lhe, para ouvir do outro lado uma voz enraivecida, sabe-se lá porquê, a gritar:

Secret.- Eu é que sei??? Porque raio havia eu de saber???
Colega- Hmmm... porque é aí que são entregues?
S. ainda mais enraivecida começa a gritar obcenidades e a dizer que se lhe está a faltar ao respeito e afins. Por sorte outro alguém que estava lá no momento pega no telefone e salva a situação... com uma frase.
"Não há regras nenhumas, desde que a letra seja bem legível, e são preciso 5 cópias incluindo a do candidato"
Fogo!!! Tanto tempo perdido para afinal não haver regras nenhumas? Pensei positivo... pelo menos não tinha que mudar nada...
No dia da entrega lá fui eu com 5 pesos pesados às costas para chegar lá e ouvir da senhora gritante "ah, aqui só deixa uma. As outras guarda a menina!". E voltei com 4 pesos pesados...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A tese


Passei horas em frente ao computador. Dias e dias a fio sem importar o dia da semana. Muito chá preto. Muitos papeis. Gargalhadas sozinha. Cabelos em pé. Olheiras fundas. Se me queixo? Não! Acabou por ser divertido.
Melhor foi no ultimo dia. Era suposto imprimir no dia seguinte de manhã. Depois de alguns percalços e uma apresentação pelo meio peguei-lhe para fazer as ultimas correcções já depois das 15h. Ah dá tempo, pensei. Claro que dá...
Escrevi as conclusões gerais às 4.30 da manhã.
Escrevi os agradecimentos às 5.20.
Ìndices e paginação às 6.30.

Deitei-me às 7h e três horas depois já estava na loja a mandar imprimir.
Lembro-me de ter passado horas a imprimir a minha tese de licenciatura. Numa daquelas impressoras que leva 2 minutos por folha. Desta vez foi tudo diferente. Cheguei ao quiosque, escolhi a cor da capa, verifiquei a primeira cópia e esperei pelo resto. Optei por passar o tempo num café ali perto a comer uma fatia de bolo e a beber chocolate quente. Não pude evitar mas comparar as duas situações.
Levou mais tempo que o esperado, mas às 3h da tarde estava entregue e eu podia finalmente respirar, descansar e dormir...

Oxford

O sexto meeting do meu projecto foi há umas semanas atrás em Oxford. Não levava grandes expectativas e andei tão atarefada até lá que nem me preocupei muito em saber antecipadamente o que me ia esperar. Ainda bem... a surpresa foi bem agradável.

Muita gente julga que é um dos lugares com mais génios por metro quadrado. Eu tinha mais em mente que era o sitio com mais narizes empinados por metro quadrado. Nem os outros, nem eu, nos enganamos. Há dos dois. As instalações na parte das ciencias são optimas sem duvida. Há dinheiro para tudo o que de certeza ajuda. Mas há muita gentinha reles por lá a achar-se o melhor do pedaço só por trabalhar ali. Quando na verdade o que se precisa é de sorte ou de uns pais ricos (se for para estudar).

No entanto, a cidade é mágica. Os edifícios são todos antigos mas bem tratados e com ar de novos. Ou seja, parece que foram acabados de construir e portanto sente-se que se viajou no tempo. Aquele ar de país encantado também está todo lá. Senti-me sempre como se estivesse no filme do Harry Potter. A verdade é que parte dos filmes do Harry Potter foram mesmo ali filmadas. Vi a sala gigante de jantar e a escadaria onde Dumbledore faz o seu discurso (bem mais pequena que o que parece no filme). A cada esquina se espera que surja um feiticeiro com a sua capa preta e varinha de condão.

Para completar o cenário, até se pode encontrar a loja da alice do país das maravilhas, onde se vendem doces, peluches, cartas, e outros acessórios que só conhecemos dos desenhos animados.

Ficamos hospedados num (entre dezenas) dos colégios de Oxford - Mandsfield College. A sala do pequeno almoço fazia-nos continuar a sonhar com feiticeiros e afins. A mim no entanto fazia-me acordar quando os empregados de mesa polacos me vinham arranhar os ouvidos com o seu inglês estranho (que afinal não me é nada estranho). Também fiquei contente por pertecncer ao grupo dos que tinham um quarto na ala nova e não na do século passado. Pelos vistos o colégio era lindíssimo por fora, mas houve bastantes queixas acerca do cheiro, do pêlo das carpetes e do estado pútrido da mobilia. Mas isso até faz parte certo? Digo eu que não tive que lá dormir 5 noites.

O encanto também escapa um bocadinho quando a seguir a um passeio na cidade se vai para um pub beber cerveja e comer fish and chips. O que não quer dizer que não é bom voltar à realidade.Principalmente quando a cerveja é caseira.

Como sempre deixo as fotos, para meter inveja ;)


Actualizando

Está mais que na hora de actualizar este blog. Não tenho tido tempo nenhum. Tenho passado horas em frente ao computador e por acaso a escrever até doerem os dedos, mas não no blog. Agora, que a menina dos meus olhos finalmente nasceu (a.k.a. tese), já posso respirar mais à vontade e (vejam lá que loucura) até já posso dormir! Sem exageros que ainda há muito pela frente. Mas vou contar um bocadinhos das minhas aventuras nas ultimas semanas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Submitted!!!



(ontem às 3h da tarde)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

It's so sad...


... that only one of us can go through!

Percebem a diferença agora?



Lisboa = dois algarismos
Szczecin = um algarismo (e perto de zero).
*Carregar na imagem para ampliar

domingo, 11 de outubro de 2009

English breakfast


Adoro pequenos almoços à inglesa! O escocês também é bom, mas prefiro o inglês! Gosto tanto a ponto de ter carregado na mala uma lata de feijão em tomate só para me poder deliciar aqui! Bem, não tinha bacon e a salsicha não é a típica mas foi o que se arranjou. E eu gosto mesmo é dos feijões!!!
Sei que estou a postar isto à noite, mas a foto foi tirada ao pequeno almoço!

Tadinhos de vocês...

Eu sei, acabei por me entusiasmar e escrever posts demais e demasiado longos! Só lê quem quer, mas quem tiver paciencia vai ver como não poderia ter deixado nada disto de fora... É que este blog não é só para vos dar a conhecer de onde passo o meu tempo, mas também vai servir para um dia eu voltar, e ler, e reler tudo, para recordar os meus tempos neste país...

Ainda o casamento - Factos rápidos

Havia fotografo mas sem mariquices. Não houve fotos na igreja. Os noivos não fugiram para ir tirar fotos ao jardim. Os convidados não têm fotos com os noivos daquelas de pose, onde depois de 20 os noivos começam a ficar com um sorriso amarelo e com as bochechas cansadas. Tiramos fotos com eles, claro que sim. Mas enquanto se dançavam, ou na mesa onde eles andaram de lugar em lugar. Tudo simples e natural. Ah, e o fotografo também não leva para lá as fotos naquela tentativa desesperada de as vender a um balurdio por foto.
Os convidados iam todos elegantíssimos. Havia daquelas polacas giras que se fartam, elegantíssimas e que nos fazem sentir uns patinhos feios. no autocarro apresentaram-me a duas primas mais ou menos da minha idade. As miudas eram estranhas. Falavam num polaco que eu não entendia uma palavra e comportavam-se de maneira estranha (leia-se infantil). Cochicharam o tempo todo, enquanto apontavam para diferentes pessoas. Durante a festa, dançavam à maluca e abanavam os vestidos levantando-os mostrando os presuntos de 5 em 5 minutos. Não foi bonito de se ver. Mas sejamos realistas. Com concorrentes polacas e lindas, as primas gordas tinham que dar nas vistas de algum modo... (eu sei, às vezes sou ruim como as cobras. Mas não gostei quando elas cochicharam a olhar para mim à descarada e a fazer sorrisinhos falsos).
Um homem com ar de camionista (a barriga gigante já a tinha) perseguiu-me. Eu andava a dançar descalça e ele tentou encontrar os meus sapatos para mos vir calçar, porque queria casar comigo (palavras dele?!). Obvio que estava bêbedo, mas perante o ar sério dele não me contive e desatei a rir!
Depois de ter pegado no bebe dos noivos (cá não é estranho eles terem filhos primeiro) e ter andado a dançar com ele, a avó veio ter comigo a dizer que eu tenho muito jeito para bebés (?!) e que ela tinha um primo, que era muito bom rapaz (e apontou para ele) e que também andava à procura de alguém. Ri-me e pensei... bebés só altos, giros e com mais de 25 anos por favor!
De cada vez que referia que daqui a 2 meses serei doutorada todos pasmavam e me diziam que não era possivel. Primeiro achei que fosse por parecer mais nova (querias...), mas a verdade é que me apercebi que era mais pela minha atitude. Sou quase doutora e misturo-me com o povo (ai c'horror!), não tenho o nariz empinado, não tenho um pau de vassoura espetado no r*** e não faço as pessoas fazerem-me vénias quando me cumprimento. Além disso, como é possivel, que dance descalça, fale que nem uma gralha, e que saiba tirar cerveja (fui elegida a pessoa que melhor sabia tirar cerveja... também com aquela fraca concorrência, que eles não percebiam nada daquilo!), e pior... que beba cerveja!!!

Casamento à polaco - O segundo dia

Depois de um belo passeio, desta vez sozinha, pela cidade de Nowogard (onde foi o casório), lá voltamos ao local da festa. Primeiro almoçou-se e a seguir dançou-se a tarde toda. Já sem banda, mas com umas colunas gigantes e milhentos cd's a festa continuou.
Bebeu-se menos vodka e loucura... havia cerveja e até se abriu uma garrafa de vinho! Como já todos tinham mais confiança comigo, acabei por me divertir ainda mais neste dia. Já todos mais descontraidos mas igualmente animados, não me deixaram estar sentada mais de 10 minutos. Lá perceberam que a portuga até dança e acabei por ser quase tão requisitada como a noiva. Passei pelos braços de tudo quando era rapaz ou senhor. Aliás, constou-me que determinada senhora fez uma cena de ciumes ao marido por andar a dançar comigo. Vim a saber mais tarde que foi a senhora mulher daquele que apalpou 3 no autocarro!
Ficamos todos amigos e no final já nem me apetecia vir embora. Lá voltamos todos no autocarro, mas desta vez já sem vodka e com metade deles a dormir. Fui a primeira a descer, desta vez na minha rua, e de novo quase em coro ouvi "Sara, we love you!".
E foi assim... tipo um pequeno big brother... pessoas que não conhecia, mas que foram "forçadas" a conviver comigo, acabaram por se tornar amigas. Pessoas que não teria conhecido não fossem as circunstâncias e de quem certo modo até sinto saudades. Aquela coisa tão portuguesa...
Os que me conhecem não vão estranhar quando eu disser que fiquei mais amiga dos amigos da noivo, que das amigas da noiva. Coisa estranha por estes lados, já que sou mulher, mas que desta vez até correu bem.

Casamento à polaco - Os jogos

Á meia noite em ponto os convidados reunem-se em volta dos noivos, que se sentam em duas cadeiras no meio da pista. Primeiro as raparigas e depois os rapazes, solteiros, dançam em volta deles. Quando a musica pára a noiva atira o ramo, e mais tarde o noivo a gravata. Quem apanha casará a seguir e tem direito à sua dança (o rapaz e a rapariga que apanharam as coisas).
Poderia ficar por aí... mas não! Os polacos são divertidíssimos e fazem jogos para entreter o pessoal.
Primeiro sentaram os noivos de costas um para o outro, cada um com um cartão vermelho e azul na mão. Ás perguntas que lhe faziam do tipo "quem é o preguiçoso lá em casa" e "quem é que tem sempre dores de cabeça", os noivos tinham que responder se era ela (cartão vermelho) ou ele (azul). Se ambos mostrassem o mesmo cartão, seguiam para a pergunta seguinte, se falhassem, as testemunhas bebiam um shot de vodka. Obvio é que as perguntas foram feitas para serem falhadas e o casal de testemunhas ficou a ver o mundo às voltas depois deste jogo.
A seguir houve o vestir das cuecas da avó, onde o casal mais lento era excluido até se acharem os vencedores e o jogo da familia (ver videos). Neste ultimo cada par tinha um papel (pai, mãe, filho, filhas, sobrinho, pato, elefante), e o locutor lia um texto. Cada vez que se referia a alguma das personagens elas tinham que se levantar, correr em volta dos outros e voltar a sentar-se. Parece simples, mas é de morrer a rir. Principalmente quando eram lidas palavras como todos, pessoas, crianças, animais, onde se levantavam mais que um casal.
Esta parte foi sem dúvida bem melhor que em Portugal, onde nos limitamos a dançar, e a morrer de cansaço (precisamente por não haver pausas), e a ver a pista com meia duzia de gatos pingados. A energia deste povo também foi contagiante e só mesmo o baixo nivel de sangue no alcool fez com que o pessoal começasse a recolher perto das 5h da manhã.

video
videoAlinhar ao centro

Casamento à polaco - A festa

O jantar de casamento e a festa deram-se num espaço proprio para isso nos arredores da cidade. À entrada os pais dos noivos oferecem-lhe um pão salgado, do qual eles devem tirar um pedaço, "molhar" no sal e comer. De seguida bebem um shot de vodka cada um e atiram os copos para trás das costas, que se devem partir, em sinal de boa sorte. Já la dentro os convidados felicitaram os noivos e presentearam-nos. Achei curioso no convite vir escrito em letras pequenas que não precisavam de nada e queriam dinheiro. Um pouco rude talvez, mas sem dúvida pratico e directo.
O jantar foi bastante simples, com entrada, um prato e gelado de sobremesa. Durante o resto da noite as travessas de comida não pararam de chegar, sempre com algo diferente e tipicamente polaco. Havia também uma mesa paralela cheia de bolos (hmmm), chá e café. Ou seja, não existem os 5 pratos que há em portugal, mas também não há mesas dos frios e afins. Cada um tem o seu lugar que mantem ao longo da noite e a comida nunca acaba nas mesas. Os empregados não tinham paus enfiados pela espinha acima e até se metiam connosco. Achei que era um estilo mais simples, relaxado e sem tantas mariquices.
Outras das grandes diferenças foi sem duvida o alcool. O unico alcool consumido naquele casamento foi vodka. Não houve aperitivos. Não houve digestivos. Não houve vinho nem cerveja. Vodka à mistura com sumos e cola. Como entre mim e o vodka não há meio termo, pois ou bebo pouco e fico totalmente sobria, ou bebo com os outros e deixo de me lembrar que existo, decidi beber muito mas misturado com ainda mais sumo. Como podem ver resultou, porque me lembro de bastantes detalhes!
Ainda nem tinha comido a sobremesa já os noivos faziam a primeira dança, com coreografia e tudo! Sem parar, lá me limitei a ficar sentadinha no meu canto e a observar os pares na pista. No entanto, com o aumentar dos brindes de vodka fui sendo mais e mais vezes convidada e acabei por me fartar de dançar a noite toda. Achei imensa piada ao estilo de organização. Dançavam-se umas 5 musicas (e toda a gente dançava), e no final a banda tocava então a tipica musica dos casamentos que fala de beber vodka. Aí todos iam para os seus lugares, cantavam aos noivos numa espécie de brinde, bebia-se um shot de vodka e comia-se durante uns 10 minutos. Passado esse tempo a banda voltava a tocar, voltava-se a dançar, e voltava-se a fazer a pausa para cantar, beber e comer. E sempre assim até às 5h da manhã!!!

Casamento à polaco - Na igreja

Fui pela primeira vez a um casamento polaco. No ínicio achei que ia ser meio aborrecido já que apenas conhecia os noivos, que nesse dia iriam andar bastante ocupados, mas a verdade é que adorei!
Tudo começou sábado depois de almoço. Sendo a noiva de uma cidade aqui perto, alugou-se um autocarro para levar o pessoal daqui. Obvio que a animação começou logo aí. Não conhecia uma única pessoa que ia naquele autocarro e ia preparada para dar corda ao meu polaco o mais e melhor que pudesse. Quando o autocarro chegou á minha paragem já ia cheio (eu fui a última). Abriu-se a porta de trás e eu entrei. Mal subi o último degrau ouvi um coro de vozes a quase gritar "Hello Sara"! Fiquei de 300 cores diferentes e ri-me que nem uma perdida. A partir daí a viagem foi uma animação. Ofereciam-me vodka de 5 em 5 minutos. Eles bebiam vodka de 5 em 5 minutos. Cantavam muito. E deviam dizer piadas porque se estavam sempre a rir. Tive a sorte (ou o azar) de ficar sentada ao pé de um dos palhaços da festa (o Zé Manel lá do sitio). Não consegui entender quem era a mulher dele, pois à minha frente agarrou-se e apalpou o rabo a 3 mulheres diferentes, só durante a viagem de 1h!
O autocarro deixou-nos à porta do hotel, onde ficamos uma noite. Troquei as calças de ganga pelo vestido. Os ténis pelo salto alto e lá me encontrei com o resto da malta à porta. Fomos directos para a igreja. Gostei! Não há cá comida na casa da noiva e do noivo. Para quê se a festa é depois? A igreja era pequena, simples e bonita. Tinha um enorme orgão de cauda cujo som combinado com o de um violino enchia a atmosfera. Quando chegamos estava a noiva ao fundo da igreja à espera que todos se sentassem. Toda a gente fez silencio e esperava a musica, mas não havia maneira de a noiva andar. Passaram uns minutos e eu pensei "Mas que raio. Toda a gente calada e tudo pronto e ela não vem? Da maneira como os polacos são com as horas devem estar à espera das horas certas". Dois minutos depois, ouve-se o sino a bater as 18h e depois das baladas começa a música! "Não posso", pensei, "estavam mesmo à espera das 18h". Penso que a cerimonia seja mais ou menos igual.
Há algumas excepções como só haver um casal de testemunhas para os dois, e de em vez de beijinhos se darem apertos de mão. Quando acaba toca então a marcha nupcial (ao inicio foi outra) e os noivos vão até à porta da igreja. Aí esperam que todos saiam e eles são os ultimos, levando com uma chuva de arroz e de moedas! Como as moedas são como um presente é tradição que eles se baixem e as apanhem.
Aos mais distraídos saliento que... não houve fotos na igreja. Nem os convidados ficaram horas à espera que eles saissem. Não! Acaba a cerimonia sai tudo e pronto!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Volta, estas perdoado!

O meu vizinho da frente, o serial killer mudou-se! Vi hoje as senhoras da limpeza a limparem-lhe o quarto. Eu devia ter desconfiado quando ele no verao pos do lado de fora o frigorifico, as prateleiras e um monte de sacos... durante uma semana. Mas para quem o ano passado pos 13 pares de sapatos a porta durante o verao todo, ja nem estranhei...
Mas e agora? Quem me vai assombrar? Quem vai fazer-me companhia na cozinha com os seus dialogos com os tachos? Nunca mais vou ver aquela chaleira de assobio do seculo XVIII? Nem sentir aquele cheiro horrivel meia hora depois de ele ter passado no corredor?
Como e' que vou viver sem tudo isso...

Mina!!!

Lembram-se na universidade, quando eramos bixos e gritavam mina e tinhamos que nos atirar para o chao, onde quer que estivessemos?
Pois ontem lembrei-me desses tempos. Em frente ao meu edificio da universidade decidiram esvaziar o lago (artificial, verde e cheio de nhanha) dos patos, para fazer obras e porem uma fonte toda catita. Andavam os senhores a escavar quando dscobriram... uma mina da segunda guerra mundial!!! Parece que a policia veio em forca e fizeram um perimetro de seguranca enquanto nao levaram as minas daqui.
Eu, que entro pela porta das traseiras, nem dei conta. Bem que podia ir tudo pelos ares que eu ca ficava agarrada ao computador...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A preparar-me para o circo

A vantagem de se ter uma cozinha comum e longe do quarto é que treino e melhoro os meus dotes de equilibrismo. Hoje achei piada quando ao ir para a cozinha carregada com uma frigideira, um tacho, um pacote de massa, tabua, faca, garfo, prato e fosforos, e a andar devagarinho, cruzei-me com 3 outros polacos a vir nas mesmas condições.
É nestas alturas que não é preciso falar a mesma lingua... trocamos olhares cumplices e rimo-nos uns dos outros.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Algo estranho

Tive um bom dia!
Ás portas da entrega da tese sempre me imaginei a descabelar e a afogar-me em trabalho. Tendo em conta que neste grupo não vale fazer só 10 coisas ao mesmo tempo... têm que ser sempre 20. Mas hoje não sei... não tenho nada para fazer... até me sinto estranha!
Ok, claro que não é bem assim. Mas o que eu quis dizer é que não tenho nada para fazer para entregar ontem, como geralmente acontece. Tenho a tese inteira para rever, mas o grosso está feito. Acabei de escrever um capitulo para um futuro livro e pasmem-se... a boss gostou (escreveu no email no seu inglês apolacado "very nice done" eheh), e mal lhe pôs as unhas de cima. Tenho mais um artigo aceite, e até já fiz os slides todinhos da apresentação da semana que vem... Eu??? Uma semana e dois dias antes???
É melhor ir ao médico... Mas vou esperar até ir a casa porque aqui eles receitam sempre as mesmas 3 caixas de comprimidos sejam qual forem os sintomas...

sábado, 19 de setembro de 2009

Será só mais um parque verde?


Ontem ao fim do dia e para dispersar e organizar os pensamentos fui correr... no cemitério! Coisa muito comum por aqui e que constava já na minha to do list há algum tempo mas que nunca tinha feito. Achei que agora a ver o tempo fugir-me por entre os dedos e a desconfiar que este sol já não dura muito mais, decidi que era uma boa ideia despachar esta parte.
E se em Portugal eu jamais o faria num cemitério, talvez por serem minusculos, atravancados e morbidos, aqui é dos locais mais agradaveis e practicos para o fazer. É um local enorme (não fosse ele um dos maiores da Europa), muito verde, com árvores, um lago, estradas e caminhos alcatroados, mas sem tráfego, escadas para exercicios. Ok, adicionalmente há por lá umas pessoas enterradas, mas geralmente essas zonas nem se vêm pois estão cercadas por arbustos enormes. E mesmo quando se vêm estão no meio de zonas verdes e não têm aquele cheiro morbido a velas.
Gosto particularmente da zona onde estão enterrados os soldados mortos na II guerra mundial. Não são exactamente campas, mas mais um monumento em sua homenagem. Fui na hora do por do sol e tirei várias fotos mentais (sim, porque gosto de fotos mas não sou maluca que chegue para ir correr de camara na mão). Vale a pena uma visita, um passeio, ou uma corrida.
E os que estão a pensar "só tu para ir correr para o cemitério", esquecem lá isso! Aquela hora viam-se imensas pessoas só a passear, com carrinhos de bebes, de bicicleta, a comer gelados, como num qualquer outro parque da cidade!

E assim se pensa... II

"Então com esse modo de pensar, os homens polacos que são pobres não podem ter mulher já que elas vão sempre escolher alguém que as sustente"
"Não! Eles também têm mulheres, mas feias! Os que têm bons trabalhos conseguem as mais bonitas. É por isso que eu tenho que arranjar uma boa bolsa post doc lá fora, para poder sustentar a minha namorada e poder ficar com ela"*
Serei sou eu a ver que ele além de estar a chamar nomes à namorada (porque estar com um homem por dinheiro tem um nome, certo?), está a assumir que se ele não lhe comprar o que ela quer, ela deixa-o e, além de saber isso tudo, aceita-o e continua a viver com ela e a pensar assim?
*dito por rapaz polaco da minha idade ontem (sim...2009!)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Rainbow in Poland


Acho que se adequa bastante bem...Principalmente depois do post anterior.

E assim se pensa...

Hoje houve festa lá na universidade o que significa sempre vinho, pizza e bolo à borla. Um jovem professor de 75 anos casou-se e decidiu celebrar com todo o staff, o que inclui os estudantes de doutoramento. Eu acho bem convidar toda a gente, mas como fica sempre alguém lá no canto da memória por convidar, ele esqueceu-se de convidar a nova mulher. Digo eu, já que era festa de casamento...
E é neste tipo de festas que eu reparo como esta sociedade se comporta. Como se dividem entre os que eles consideram bons e maus. Ou bons e melhores. É inexplicavel, mas aqui, as pessoas não se misturam. O espaço é composto por duas salas. Para uma vão os professores e para a outra os estudantes e tecnicos. Rigorosamente falando! Pois os dois técnicos, já com os seus 60 e tal anos, que até eu pensava que eram professores, pois no trabalho tudo se mistura, tiveram que comer na nossa mesa e ouvir as nossas parvoices. Caso ainda mais grave. Um dos professores, o único que eu realmente gosto e admiro, nunca se importou em obter o grau de professor. No entanto dá aulas como os outros, tem orientandos, dá palestras, vai a conferencias, etc. Ou seja, é professor como todos os outros mas sem o grau. A diferença maior é que ele realmente trabalha. Os dias que se arrastam até mais tarde, depois de muitos deixarem a uni às 15h e os restantes às 17h, sobramos sempre os dois! E nunca me sinto sozinha por causa dele. Porque nem precisamos de falar. Eu ouço o teclado dele e ele ouve o meu. E ele é sem dúvida o único professor que não é presunçoso e que não tem a mania das grandezas. Pois também ele se juntou ao nosso lado, na nossa sala.
As secretárias... a que está há mais tempo juntou-se aos professores, pois eles precisam de alguém para servir o vinho. A mais nova, fico claro do nosso lado, por não ter ainda a "categoria" soficiente para lidar com tão ilustres personagens.
E foi isto que me irritou mais? Não... porque isto eu já tinha presenciado antes. Em outros encontros e celebrações como esta. O que me irritou mais foi falar com o meu colega de grupo e perceber que os planos dele são ir para um país onde ganhe muito dinheiro, pois tem que sustentar a namorada, que jamais vai querer (nem ele vai deixar) trabalhar. Tornar-se especialista em nanotecnologia (palavras dele traduzidas à letra) e voltar como o grande expert da coisa para ser o melhor da Polonia. Porque aqui senão se disser que se é o melhor não conta. Tal como a minha chefe me disse mal eu cheguei. Que este grupo é um dos melhores grupos da europa nesta área. Hoje... quase 3 anos depois a única coisa que me ocorre dizer a isso é ahahahah.
No ínicio achei que eles diziam estas coisas para impressionar os outros. Para impressionar que não sabe. Quem não entende. Tal como eu o poderia fazer, que não faço, ao meu avô. Aos meus pais. Às velhotas lá da aldeia que ainda não entendem que raio é isso de ser cientista. Mas com o passar do tempo aprendi que não. Que eles acreditam mesmo nisso. Acreditam que são os melhores do mundo em algo! Acreditam MESMO! Poderemos critica-los? Não sei... já pensaram na sensação de acordar de manhã e pensar... hmmmm sou o melhor do mundo! Mesmo que não se seja... que importa?
Bem, a conversa aqueceu quando eu disse que não iria ganhar tanto no Brasil e ele responde: "que mais dá. Tu és mulher, não tens que ganhar tanto". Quem me conhece pode imaginar perfeitamente que me saltou a tampa, fiquei vermelha de fúria e argumentei de modo bruto. Expliquei-lhe que eu jamais vou viver às custas de um homem. Que não gosto de ser tratada como uma princesa. Que não gosto que me abram a porta do carro. Que não gosto que me recusem num jogo de futebol só porque sou mulher. E ele abriu a boca de espanto... "não sabia que havia pessoas assim..."
E não, não é só ele que pensa assim... é uma comunidade inteira. A culpa é dos homens? Não, as mulheres também preferem assim! A culpa nem sequer é de ninguém. Como ele me explicou, ele aprendeu assim com os pais. Foi educado assim. E é assim que pensa...
Não sei se é para rir, ou para chorar. Mas não posso evitar o alivio que sinto ao pensar que me resta pouco tempo por aqui. Foi muito engraçado e diferente. Mas já chega...
Desculpem o enoooorme post, mas foram anos a fazer estas observações e anos a acumular a fúria por cada vez que uma ave destas me aparecia à frente.

Um cocktail de pessoas

Um comentario alertou-me para a dura realidade... que o meu grupo não tem ponta por onde se pegue! Entre pessoas que vão ás compras a meio do dia - atenção que não falo em ir comprar uma sandocha para comer, mas sim sapatos, roupa, e afins - chineses com as suas historias, pessoas que perdem documentos a torto e a direito, etc. Se estendermos o grupo ao projecto inteiro bem... aí dava pano para mangas e para uma dezena de posts!
Mas para completar o grupinho daqui ainda falta falar da... hipocondríaca! Existe sempre uma hipocondríaca! Está sempre doente e nunca tem nada. Toma mil e um medicamentos que nunca ninguem entende bem para quê. Mal tem um arrepio toma 4 comprimidos. Não, infelizmente não estou a exagerar. Bem, infelizmente não será a palavra porque ela é feliz assim.
Ao mesmo tempo tem mania das dietas porque está sempre gorda... (se a vissem... baixinha e pesa 45 quilos). Confessou-me várias vezes que quebra a dieta quando vai para casa, ou seja, passa literalmente o dia com uma maça no estomago e a seguir vai para casa e come 4 bolos seguidos. A brincadeira ficou-lhe cara, porque um ano depois a fazer isso arranjou problemas no estomago e desta vez a sério. Ou seja, agora anda em dieta mas recomendada pelo médico. O que é que isto tem de engraçado?
Ontem, disse-me "O médico disse para comer a fruta sem casca. Comi de manhã uma pêra com casca e ainda me doi o estomago", enquanto comia um um rollo, que é basicamente uma mistura de vegetais e carradas de maionese!
Hoje depois de comer uma fatia de pizza, outra de bolo de chocolate e meia de bolo de caramelo recusa o sumo oferecido pois não tinha a certeza se era natural!
Encaixa ou não neste grupo? Que nem uma luva...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

17 Dezembro

Comprei o meu bilhete SO de ida para Lisboa!
Daqui a exactamente 3 meses deixarei a Polonia... de vez!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ja agora mais uma...

De Portugal trouxe ao chines doce de tomate, ja que o tomate e' tao popular na Polonia mas eles nunca conhecem o doce. Ele assim que viu agradeceu imenso e disse:
Ele: "Ah! Eu sei o que e'! Ainda ontem fiz meatballs com isto!"
Eu: "C., isto nao e' polpa de tomate... e' para por no pao!!!".
Sera' que ele achava mesmo que alguem era idiota o suficiente para trazer polpa de tomate de presente? E sera' que ele entendeu como comer aquilo? Espero que sim...

E nao ficou por ali...

E como sempre o chines afinal deu a volta a coisa de modo a nao ter que fazer muito.
Os slides eram para ontem e ele fingiu que se esqueceu quando a boss lhe perguntou por eles. Ela zangou-se. Ele disse-lhe que nem dados tinha sobre a amostra. Ela zangou-se ainda mais. Ele acabou por vence-la pelo cansaco, pois a boss decidiu fazer ela os slides e nao se chatear mais...
Mais uma vez ele ficou como queria...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mais uma do Chines

Va confessem... ja tinham saudades das avarias do chines.
Nestes meses de convivencia as coisas mudaram entre nos. A comunicacao tornou-se mais facil e ele agora ate ja quase nos entende sempre. Percebemos o quanto ele cheira mal, principalmente no verao. Tentamos dar varias dicas mas nao ajudou. A verdade nem e' ele que cheira mal, mas pelo que percebemos sao as roupas dele. Nunca chegou a aprender a trabalhar com a maquina de lavar.
Alem disso tambem percebemos que ele e' preguicoso 'a bruta. Faz o minimo que pode e consegue. Ve filmes no trabalho. Dorme no trabalho. Vai passear durante as horas de trabalho. Vai as compras durante o trabalho (bem, mas isso a boss tambem faz...). E da a volta a boss com uma pinta que nem imaginam.
A ultima dele foi muito bem engenhada... mas deu comigo e nao resultou. A boss vai a uma conferencia e vai fazer uma apresentacao com o trabalho dele. Ela (a boss) fiada que as amostras que ele estava a utilizar eram minhas, disse ao chines para me dizer a mim para preparar uns 2 ou 3 slides com a sintese e caracterizacao da amostra. Ele feliz da vida disse-me logo. Eu disse ok, mas sem pensar muito nisso. Quando deitei maos ao trabalho para o fazer pensei... mas que raio de amostra e' que eu dei ao chines? Nao me lembro de nenhuma! Sem saber isso nao posso fazer os slides... E fui-lhe perguntar.
Eu- Mas que amostra e' que eu te dei para o teu trabalho?
Chines (com cara de parvo)- Nenhuma! Eu nao usei a tua amostra, mas sim uma que sintetisei eu mesmo.
Eu- Ah sim, e entao por que raio e' que tenho que ser eu a fazer os slides?
Chines- E' que como usei o mesmo metodo que tu acho que e' a mesma coisa e que tu podias faze-los.
Eu- Mas nao sao os mesmos, porque nao fui eu que os fiz e cada pessoa faz a sua maneira. Alem disso o trabalho e' teu.
Chines- Sim, mas e' a mesma coisa. Podes por as tuas fotos e os teus espectros que nao faz mal.
Eu (a deitar fumo pelas orelhas) pensei... ai faz faz, que tenho mais 500 coisas para acabar e tu bem que podes interromper a tua sessao cinematografica da tarde para os fazer, mas so disse: Nao, nao. Foste tu que os fizeste tens que usar os teus resultados.
La acedeu mas nao ficou contente. E' que ele nem as amostras dele analisou e agora vai ter que fazer tudo em cima da hora para fazer os slides... temos pena...
Alem disso descobrimos agora que boicotou o pedido do visto para ir ao meeting em Oxford so para nao ter que fazer uma apresentacao... perder 4 dias pagos em Oxford so para nao ter trabalho...

O sonho torna-se realidade...

Vejam la esta noticia...
"An Austrian holiday resort is offering guests the chance to swim in a pool containing 42,000 pints of beer."
Ja se pode nadar em cerveja, na Austria. Diz o gerente que encheu a piscina de cerveja pelos seus beneficios para a pele... pois claro... nem influencia nada o facto de ele ter 23 anos e imagino eu gostar de farra. Acrescenta ainda:
"I would rather swim than swallow, as we serve enough of a cold, fresh tapped beer on the bars next to the pools."
Pois, eu e' que nao engolia aquilo... Ou ja se esqueceram que beber cerveja faz mijar como o catano?
Leiam tudo aqui.

domingo, 13 de setembro de 2009

Auchan

Quem tem tempo de mais ao fim de semana é assim. Dá-lhe na cabeça de andar km só para ir ao um supermercado diferente ver se encontra a sua escova de dentes preferida, esquecida em Portugal. Pela internet lá descobri o autocarro a apanhar e um mapa que dá sempre jeito e fui. Pelo que tinha ouvido era uma coisa em grande. Um shopping novo, com lojas e afins. Muita gente me disse que pegavam no carro e iam lá sempre ao fim de semana por ser melhor. Perguntei até se seria maior que o Galaxy, o shopping ca do sitio, ao que me responderam que seria dificil comparar já que o Galaxy tem 3 pisos, e neste é tudo no rés do chão. Ok, pensei, mas enchi-me de esperanças...
Desço do autocarro e ando uns 15 minutos até la. Já perto da entrada vejo uma placa: 50 lojas, 3 restaurantes, x estacionamentos e um hipermercado enorme. Bem, 50 lojas... maior que o Galaxy não é, mas ok...
Entrei e... ahahahahahahahahahahahahahahahaha... shopping center... ahahahahahahah...
Que o hipermercado é gigante, lá isso sem duvida que é. Mas lojas? Só há um corredor com elas, e nada de novo. As mesmas que há na cidade. 3 restaurantes? ahahahah... um de fastfood, uma gelataria e um café...
Além disso o supermercado não tem nada de novo. Tem exactamente as mesmas coisas, so que em maior quantidade. O chão é sujo à mesma. As frutas e vegetais têm o mesmo mau aspecto. E a carne parece duvidosa tal como em todos eles.
E já agora alguém lhes explica que se o grande maginifico espectacular supermercado tem 60 caixas, eles deviam mesmo abri-las e reduzir o tempo de espera na fila para pagar? É que contadinho pelo meu relogio eu estive exactamente na fila 27 minutos!!!! 27 minutos até ser atendida!!!! Mais o tempo de pagar e tal faz 30 minutos numa caixa!!!Faz-se tanta coisa tão mais util em 30min do que estar numa fila no supermercado...
Quando finalmente saio de lá e me dirijo à paragem do autocarro reparo que há poucos e que teria que esperar 40 minutos pelo próximo... Ponho-me a caminho a pé e quase ainda apanhava o autocarro antes a meio do caminho. Acabei por me entreter e fazer os cerca de 6km a pé.
Cheguei estafada, sem a escova de dentes que queria, comi e dormi umas 3 sestas... Ainda há bons fins de semana!

My nightmare is back...

... os meus vizinhos! Não, não o que tem cara de serial killer. Esse apesar do seu ar de assassino é sossegadinho e não faz barulho nenhum! Já o mesmo não se diz dos vizinhos do quarto ao lado! T~em um miudo de 2 anos que deve ser um terror. Grita, esperneia, bate com os tachos na porta (o som que faz só pode ser disso) e eu levo com isso todos os dias!A culpa nem será bem dele, mas dos pais e desta mentalidade polaca que obrigam a viver uma criança pequena, no mesmo espaço dos pais, sendo ao todo uns miseros 15 metros quadrados! Obvio que aquela energia toda tem que sair por algum lado!
E não sei o que é pior... se o puto aos pontapés, ou a mãe a gritar de 5 em 5 minutos, com uma voz estridente como só (algum)as mulheres polacas têm, capaz de acordar um prédio inteiro.
E não sei o que é pior... se acordar com tudo isto aos sábados e domingos às 8h da manha, ou aos dias de semana exactamente meia hora antes de o meu despertador tocar...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Nova casa

O big boss comprou casa nova e convidou-nos a todos para ir la lanchar. A semelhanca portuguesa mostrou-nos a casa toda, divisao a divisao, e falou-se o tempo todo de candeeiros, soalhos, cozinhas, e maquinas. Tal como a maioria das casas polacas esta era pequena, apesar de ser do tipo vivenda. A filha do casal nao tem cama mas sofa, o que ainda hoje me faz confusao, so de pensar na trabalheira que da montar a cama todas as noites. Talvez eu seja preguicosa, mas para mim um quarto tem que ter uma cama... senao parece que vivemos numa sala de estar.
A decoracao era linda com tudo pensado ao pormenor. O guarda roupa era tipo filme... daqueles que se entra la para dentro e tal. Gostei!
Mas nem tudo foi normal... Fui a casa de banho. A porta dava para a sala de estar e era feita... de vidro! Nao se via atraves do vidro. Mas a meio tinha uns quadrados grandes de madeira, com vidro normal a volta. Ou seja... fiz o meu xixizinho enquanto via a boss de copo de vinho na mao e a comer bolos...
Pensei que era alguma ilusao de optica e quando sai verifiquei que nao... via-se mesmo la para dentro. E eles chamam-lhe a casa de banho dos convidados. Pois, mas entao nao me convidem outra vez. Pelo menos para ir a casa de banho...

As ferias...

Outros lugares, outras pessoas, e muitas fotos!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Churrasco a Portuguesa

De um lado sardinhas, do outro salsichas polacas

As sardinhas vieram a voar de Portugal.
Com elas veio vinho, chourico e queijo caseiros.
Por ca compraram-se as tipicas salsichas polacas.
Juntaram-se 7 portugueses no quintal de uma polaca e reuniram-se as condicoes para uma bela tarde.
E foi assim...

Aventuras partilhadas

Eu para ser assim tinha que sair a alguem, certo? E quando estamos juntos são aventuras que nunca mais param.
Lembram-se que perdi a carteira há uns meses atras? Pois desta vez durante um passeio pela manhã a minha mochila foi esquecida num banco à beira do lago. Tudo lá dentro... tudo mesmo. Porta moedas: sem documentos pois ja os tinha perdido antes, mas com a chave de casa, cartões multibanco e o único dinheiro que tinhamos lá dentro. Passaporte: o meu único documento para sair do país. Telemovel: com todos os contactos para quem eu poderia pedir ajuda.
Demos pela falta da mochila 30min depois e sem pensar duas vezes corremos para o banco para o encontrar vazio. Perguntei a toda a gente ali em volta. Perguntei nos quiosques e nada. Valeu-me uma simpatica polaca que me ajudou mais tarde. Voltamos a perguntar nos quiosques em volta (desta vez num polaco decente). Ela pagou bilhetes para todos regressarem de electrico e fomos a policia. A policia errada. Deixei a famelga num bar de um amigo e com mais um bilhete pago pela amiga lá fomos para o outro posto de polícia. Por outro lado o meu pai e dois amigos voltaram para o lago, onde ligaram varias vezes para o meu telemovel numa tentativa de o ouvirem.
Na esquadra disseram para ligar para a embaixada portuguesa e cancelar o passaporte. A conversa foi... hmm... engraçada e senti-me logo em Portugal mal atendi.
Eu- Perdi o meu passaporte. E possivel fazer um novo aí?
Embaixada- Aqui fala da embaixada e esse assunto é tratado no consulado que é aqui ao lado.
Eu- E?
Emb- Tem que ligar para lá. Eu dou-lhe o numero, mas a esta hora já não devem estar a trabalhar, por isso só segunda feira.
Ligo para o consulado e lá me respondem.
Cons.- É possivel fazer um passaporte novo, desde que tenha um outro documento válido e que venha a Varsóvia assinar os papeis.
Eu- Pois, mas é que eu ja tinha perdido os outros documentos todos há umas semanas atrás.
Cons. (a tentar não se rir de mim e provavelmente a pensar mas que pessoa responsável)- Então assim so podemos emitir um passaporte provisório de uma ida para Lisboa!
E eu pensei... Naaaaaoooo! E la se vao os meus dias de ferias em Londres! E o dinheiro que gastei em voos. E os planos todos. E tudo.
Mas o panico foi momentaneo porque do outro lado da cidade alguem atendia o meu telemovel. Recebo um telefonema do meu pai a dizer que alguem atendera o telemovel e iam a caminho de casa deles. Um casal de idosos viu a minha mochila e sem saber o que fazer levou-a para casa. Esperaram pela filha que decidiu atender o telemovel e dar a morada dela. Quando o meu pai e os outros dois apareceram lá na porta eles recusaram-se a entregar-lhe a mochila que pertencia a uma rapariga. Depois de muita conversa lá os convenceram que nao pertenciam a mafia (a unica palavra que o meu pai entendeu na conversa toda). Depois de lhe fazerem um teste de memória onde ele teve que escrever o que sabia sobre mim, la lhe entregaram tudo.
Entretando ja estava eu sozinha. Sentada na escadas de uma esquadra qualquer sem saber muito bem onde estava. Numa mão o telemovel da minha mãe, na outra dois bilhetes de eléctrico. Os meus unicos pertences dessa altura. Esperava a confirmacao de que a mochila era a minha e que não precisava de cancelar nada. A confirmacao chegou. Eram 5 da tarde e pela primeira vez senti fome. Saí dali e fui ter com eles ao bar. Rimos. Cada um contou a sua história. Comemos e respiramos fundo. Afinal eu ia ter as minhas férias em Londres sem passar por Varsovia. Podiamos continuar as nossas ferias normalmente. Com aventuras mas menos stressantes...

E tudo acabou bem...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tugas na Polonia

De repente e por uns dias o numero de tugas nesta cidade dobrou. Depois de muitas promessas que ouvi das mais variadas pessoas, finalmente houve alguém que passou da palavra à acção e veio-me visitar.
Encontrei-os ainda com o friozinho na barriga do primeiro voo, com medo da comida estranha e de encontrarem um país feio e destruido como ainda muita gente imagina a Polonia. 24h depois a opiniao deles já tinha mudado. Afinal este país tem imensos parques de relva verde como nao se vê nenhum em Portugal. Há muito menos vandalismo, as pessoas são brutas na rua mas afaveis quando se dão a conhecer, e é mais ou menos tudo barato. Quem foi à missa disse que observou o respeito que havia em Portugal antes da época dos telemoveis e do tempo em que se ia à igreja para rezar e não para mostrar o vestido novo, ou comentar o cabelo da vizinha.
Comeram tudo e gostaram. Beberam cerveja de meio litro e também gostaram. Andaram quilometros e gostaram de descansar na relva verde e fresca. Subiram ao 22º andar para comer bolo e apreciar a vista e gostaram. As viagens nos velhinhos comboios polacos acabaram por se tornar divertidas por serem um desafio ao equilibrio e à força da gravidade. Gostaram de Poznan e Wroclaw, com as cabras a marrarem na primeira e os anoezinhos na segunda. Gostaram de Berlim mas continuaram a gostar mais da Polonia.
Não gostaram dos bebedos logo de manhã. Não gostaram de os ver a remexer os caixotes do lixo em busca de restos de cerveja no fundo das garrafas. Não gostaram de ter de ir embora tão depressa.
Tiveram sorte com o tempo é certo. Nunca antes tinha visto tanto calor seguido, com o sol tão brilhante e o ceu tão azul nesta cidade. Ainda bem que assim foi. Agora ficaram com vontade de conhecer outros sitios e outros lugares. De ceu mais ou menos azul. De relva mais ou menos verde. Com comida melhor ou pior. Melhor ou pior cerveja. Viram que nada disso interessa. Interessa é conhecer e ficar a saber se se gosta ou não.

O meu Verão (ainda) não acabou

Pela primeira vez não deixei o Verão em Portugal. Regressei ontem de férias e encontrei uma Polonia com sol e calor, como nunca tinha ainda visto em Setembro. Por quanto tempo ninguém sabe, mas o melhor é aproveitar bem cada raio de sol.
Nestas semanas foram varias as viagens, diferentes as companhias e como sempre muitas aventuras à mistura. Como não podia deixar de ser, contarei tudo nos próximos posts. E aviso ja que há fotos de meter inveja :p

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Edimburgo - as fotos

Edimburgo novamente


Adoro Edimburgo!
Foi só a segunda vez lá, mas fico sempre com aquela sensação que por mais vezes que lá vá, vou sempre gostar. Adoro as colinas com vista sobre a cidade, os campos verdes com os lagos no meio, o mar lá ao fundo bem longe, o castelo mesmo no centro da cidade, os bancos em memória de muitos espalhados por toda a cidade, ...
Além disso achei o máximo ver o simbolo da Sagres por todo o lado! Os festivais da cidade começam para a semana e um deles é patrocinado pela nossa cerveja. Ainda por cima descobrimos um bar com cervejas de todo o mundo com uma torneira de sagres! Nunca tinha bebido um pint de Sagres, mas vou faze-lo de cada vez que lá voltar!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Final de tarde

Uma mesa ao canto da esplanada, quatro portugueses, cervejas, tostas mistas e muita conversa...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Que é isto?

Os planetas devem ter alinhado todos a meu favor hoje... ou isso ou vou partir uma perna mais logo para balançar o dia...

Limpeza dos canos

Olha que titulo tão bonito o deste post... Mas a verdade é que de vez em quando todos nós temos que limpar os canos. Não? Não interessa, faz conta que sim. O meu lavatório entupiu-se e eu tive que recorrer a medidads drásticas... essa maquiavélica de nome soda caustica!!!Mas onde encontrar tal coisa na Polonia?
Simples... no supermercado, na prateleira junto ao chão, aquela onde as criancinhas chegam, mesmo ao lado de produtos vulgares para lavar o chão e afins. Comprei um frasco e qual não foi a minha surpresa quando ao tentar abri-lo vi que apenas tinha uma tampa, sem ser de rosca, que saltou ao primeiro toque. Uma daquelas que qualquer criança com mais de 3 anos abria! Nem sequer uma protecção, nada! Além disso é também facil roubar, mas pronto... deixemo-nos de ideias.
Cheguei a casa e la traduzi as instruções. Duas colheres para meio litro de água? Isto não deve fazer nada mas ok... e não fez. Mais 2 colheres e nada! Olha bora mandar o frasco todo e nada... hmmm... muito eficiente! Deve ser por isso que as crianças podem mexer...Também só custou 2 zl
Como não me resolveu o problema dias depois lá fui à mesma prateleira do fundo escolher outra marca que inspirasse mais confiança... Lá trouxe outro produto que prometia uma explosão de limpeza... ya ya pensei... Tambem não tinha qualquer protecção, mas a tampa era mais dificil de tirar... assim só já as crianças a partir dos 4 anos é que conseguem abrir...
2 colheres outra vez? Nah... vou logo é por metade do frasco... e agora água a ferver por cima e aaahhhhhh que é isto???? Fecha a porta!!! Corre para a janela... agora já podes respirar... esperei 20 minutos para o exaustor sugar os vapores todos até entreabrir a porta e espreitar se a coisa burbulhante que tinha estado no meu lavatorio já tinha desaparecido... mau ou não, os canos desentupiram e estão melhor que quando cheguei à Polonia! Missão cumprida!
É nestas alturas que penso... fiz bem tornar-me cientista...