quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A dura realidade

O comentário de um sueco no meio de uma estação de comboios polaca:
"Parece que estou a viver há 30 anos atrás. E ainda dizem que ainda não se pode viajar no tempo!!"
E não levou mais de 30 minutos em território polaco a concluir aquilo que eu andava a tentar evitar a admitir a mim própria.

Podia ter sido em Portugal? Podia!

Conversa com a boss antes da entrega da tese:
Eu- E posso imprimir frente e costas como a tua?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá.
Eu- E é preciso aquelas listas de figuras e abreviaturas e afins?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá.
Eu- E regras para o tamanho de letras e assim? Ou para a capa?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá.
Eu- Ok. Mas pelo menos sabes quantas cópias tenho que entregar?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá. (nem isto?!?!?!?!)
... silêncio por uns instantes...
Boss- Se quiseres pergunta ao P. Ele sabe para onde ligar.
Ok! Got the message! Não sabes e nem estás interessada em saber!
Pergunto ao meu colega P. que me diz que procura na net. Ligar? Isso não, que depois tinha que levantar o rabo da cadeira, ir ao secretariado, e pegar no telefone e tal. Lá encontrou uma página na net cheia de regras para tudo e mais alguma coisa. Assustada com tanta coisa lá lhe peço para traduzir. Ao fim de 15 minutos a tomar notas pergunto-lhe:
Eu- E será mesmo necessário isso tudo? Achas que são regras que toda a gente segue ou são mais como sugestões?
P.- Não sei! Isto nem sequer é para a nossa universidade.
Eu- What??? Mas estive eu para aqui a tomar notas para nada?
P.- Não! As regras devem ser as mesmas para a Polónia inteira.
Eu, a duvidar bastante disso, mas estando neste país nunca se sabe- Tens a certeza?
P.- Certeza não tenho, mas deve ser. Diz ele voltando a pôr os fones nos ouvidos e voltando para o filme que eu lhe interrompi (sim, durante o trabalho...)
Ok. Got the message! Também não queres saber lá grande coisa. Peço a alguém uma tese do ano anterior, mesmo em polaco, para comparar com as regras. Comparo ... eram diferentes como o preto e o branco!
Decidi pedir ajuda aos colegas de gabinete, que simpáticos como são não hesitaram em discutir para onde é que raio haveriam de ligar. Que fique aqui claro que se eu pudesse teria ligado eu mesma. Mas nem sabia para onde, nem o meu vocabulário chegaria para perguntar o que queria saber, principalmente ao telefone onde é mais dificil entender as pessoas. Eles decidem ligar para o secretário dos estudantes de doutoramento.
Colegas- Tens informações sobre blá blá blá?
Secret.- Não!
C.- Mas eras tu que devias ter, não?
S.- Provavelmente!
C.- Mas não tens?
S.- Não.
C.- Nem queres procurar saber?
S.- Para quem é isso?
C.- Para a Sara.
S.- Ah, ela não está sobre a minha custódia, porque os processos dela não passam pelas minhas mãos!
C.- Mas isto é uma informação útil a todos, não só para ela!
S.- Pois, mas agora é ela que quer saber.
Gostava de saber o que teria acontecido se tivessem ligado outra vez em nome de outra pessoa qualquer. Mas eles não têm o meu sentido de humor e não o quiseram fazer. Eu, já sem saber a quem recorrer decido fazer um inquérito a pessoas que já tinham .concluído doutoramento aqui Desisti à 5ª pessoa! Todos eles me respondiam com imensa certeza "claro que há regras e deves segui-las" e a seguir davam-me informações completamente diferentes.
Isto não está a correr bem, pensei. E nesse mesmo momento decidi mandar tudo às urtigas, formatar o trabalho como bem me apetecesse e logo se via. Até por que me restava apenas o resto do dia e ainda tinha várias coisas para fazer. Ainda assim precissava mesmo de saber o numero de cópias a imprimir...
No meio dos meus pensamentos lá regresso ao gabinete. Alguém teve aideia de ligar à secretária do director. Se é ela que recebe as cópias, ela deve saber estas coisas. Mais uma vez um dos meus colegas liga-lhe, para ouvir do outro lado uma voz enraivecida, sabe-se lá porquê, a gritar:

Secret.- Eu é que sei??? Porque raio havia eu de saber???
Colega- Hmmm... porque é aí que são entregues?
S. ainda mais enraivecida começa a gritar obcenidades e a dizer que se lhe está a faltar ao respeito e afins. Por sorte outro alguém que estava lá no momento pega no telefone e salva a situação... com uma frase.
"Não há regras nenhumas, desde que a letra seja bem legível, e são preciso 5 cópias incluindo a do candidato"
Fogo!!! Tanto tempo perdido para afinal não haver regras nenhumas? Pensei positivo... pelo menos não tinha que mudar nada...
No dia da entrega lá fui eu com 5 pesos pesados às costas para chegar lá e ouvir da senhora gritante "ah, aqui só deixa uma. As outras guarda a menina!". E voltei com 4 pesos pesados...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A tese


Passei horas em frente ao computador. Dias e dias a fio sem importar o dia da semana. Muito chá preto. Muitos papeis. Gargalhadas sozinha. Cabelos em pé. Olheiras fundas. Se me queixo? Não! Acabou por ser divertido.
Melhor foi no ultimo dia. Era suposto imprimir no dia seguinte de manhã. Depois de alguns percalços e uma apresentação pelo meio peguei-lhe para fazer as ultimas correcções já depois das 15h. Ah dá tempo, pensei. Claro que dá...
Escrevi as conclusões gerais às 4.30 da manhã.
Escrevi os agradecimentos às 5.20.
Ìndices e paginação às 6.30.

Deitei-me às 7h e três horas depois já estava na loja a mandar imprimir.
Lembro-me de ter passado horas a imprimir a minha tese de licenciatura. Numa daquelas impressoras que leva 2 minutos por folha. Desta vez foi tudo diferente. Cheguei ao quiosque, escolhi a cor da capa, verifiquei a primeira cópia e esperei pelo resto. Optei por passar o tempo num café ali perto a comer uma fatia de bolo e a beber chocolate quente. Não pude evitar mas comparar as duas situações.
Levou mais tempo que o esperado, mas às 3h da tarde estava entregue e eu podia finalmente respirar, descansar e dormir...

Oxford

O sexto meeting do meu projecto foi há umas semanas atrás em Oxford. Não levava grandes expectativas e andei tão atarefada até lá que nem me preocupei muito em saber antecipadamente o que me ia esperar. Ainda bem... a surpresa foi bem agradável.

Muita gente julga que é um dos lugares com mais génios por metro quadrado. Eu tinha mais em mente que era o sitio com mais narizes empinados por metro quadrado. Nem os outros, nem eu, nos enganamos. Há dos dois. As instalações na parte das ciencias são optimas sem duvida. Há dinheiro para tudo o que de certeza ajuda. Mas há muita gentinha reles por lá a achar-se o melhor do pedaço só por trabalhar ali. Quando na verdade o que se precisa é de sorte ou de uns pais ricos (se for para estudar).

No entanto, a cidade é mágica. Os edifícios são todos antigos mas bem tratados e com ar de novos. Ou seja, parece que foram acabados de construir e portanto sente-se que se viajou no tempo. Aquele ar de país encantado também está todo lá. Senti-me sempre como se estivesse no filme do Harry Potter. A verdade é que parte dos filmes do Harry Potter foram mesmo ali filmadas. Vi a sala gigante de jantar e a escadaria onde Dumbledore faz o seu discurso (bem mais pequena que o que parece no filme). A cada esquina se espera que surja um feiticeiro com a sua capa preta e varinha de condão.

Para completar o cenário, até se pode encontrar a loja da alice do país das maravilhas, onde se vendem doces, peluches, cartas, e outros acessórios que só conhecemos dos desenhos animados.

Ficamos hospedados num (entre dezenas) dos colégios de Oxford - Mandsfield College. A sala do pequeno almoço fazia-nos continuar a sonhar com feiticeiros e afins. A mim no entanto fazia-me acordar quando os empregados de mesa polacos me vinham arranhar os ouvidos com o seu inglês estranho (que afinal não me é nada estranho). Também fiquei contente por pertecncer ao grupo dos que tinham um quarto na ala nova e não na do século passado. Pelos vistos o colégio era lindíssimo por fora, mas houve bastantes queixas acerca do cheiro, do pêlo das carpetes e do estado pútrido da mobilia. Mas isso até faz parte certo? Digo eu que não tive que lá dormir 5 noites.

O encanto também escapa um bocadinho quando a seguir a um passeio na cidade se vai para um pub beber cerveja e comer fish and chips. O que não quer dizer que não é bom voltar à realidade.Principalmente quando a cerveja é caseira.

Como sempre deixo as fotos, para meter inveja ;)


Actualizando

Está mais que na hora de actualizar este blog. Não tenho tido tempo nenhum. Tenho passado horas em frente ao computador e por acaso a escrever até doerem os dedos, mas não no blog. Agora, que a menina dos meus olhos finalmente nasceu (a.k.a. tese), já posso respirar mais à vontade e (vejam lá que loucura) até já posso dormir! Sem exageros que ainda há muito pela frente. Mas vou contar um bocadinhos das minhas aventuras nas ultimas semanas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Submitted!!!



(ontem às 3h da tarde)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

It's so sad...


... that only one of us can go through!

Percebem a diferença agora?



Lisboa = dois algarismos
Szczecin = um algarismo (e perto de zero).
*Carregar na imagem para ampliar

domingo, 11 de outubro de 2009

English breakfast


Adoro pequenos almoços à inglesa! O escocês também é bom, mas prefiro o inglês! Gosto tanto a ponto de ter carregado na mala uma lata de feijão em tomate só para me poder deliciar aqui! Bem, não tinha bacon e a salsicha não é a típica mas foi o que se arranjou. E eu gosto mesmo é dos feijões!!!
Sei que estou a postar isto à noite, mas a foto foi tirada ao pequeno almoço!

Tadinhos de vocês...

Eu sei, acabei por me entusiasmar e escrever posts demais e demasiado longos! Só lê quem quer, mas quem tiver paciencia vai ver como não poderia ter deixado nada disto de fora... É que este blog não é só para vos dar a conhecer de onde passo o meu tempo, mas também vai servir para um dia eu voltar, e ler, e reler tudo, para recordar os meus tempos neste país...

Ainda o casamento - Factos rápidos

Havia fotografo mas sem mariquices. Não houve fotos na igreja. Os noivos não fugiram para ir tirar fotos ao jardim. Os convidados não têm fotos com os noivos daquelas de pose, onde depois de 20 os noivos começam a ficar com um sorriso amarelo e com as bochechas cansadas. Tiramos fotos com eles, claro que sim. Mas enquanto se dançavam, ou na mesa onde eles andaram de lugar em lugar. Tudo simples e natural. Ah, e o fotografo também não leva para lá as fotos naquela tentativa desesperada de as vender a um balurdio por foto.
Os convidados iam todos elegantíssimos. Havia daquelas polacas giras que se fartam, elegantíssimas e que nos fazem sentir uns patinhos feios. no autocarro apresentaram-me a duas primas mais ou menos da minha idade. As miudas eram estranhas. Falavam num polaco que eu não entendia uma palavra e comportavam-se de maneira estranha (leia-se infantil). Cochicharam o tempo todo, enquanto apontavam para diferentes pessoas. Durante a festa, dançavam à maluca e abanavam os vestidos levantando-os mostrando os presuntos de 5 em 5 minutos. Não foi bonito de se ver. Mas sejamos realistas. Com concorrentes polacas e lindas, as primas gordas tinham que dar nas vistas de algum modo... (eu sei, às vezes sou ruim como as cobras. Mas não gostei quando elas cochicharam a olhar para mim à descarada e a fazer sorrisinhos falsos).
Um homem com ar de camionista (a barriga gigante já a tinha) perseguiu-me. Eu andava a dançar descalça e ele tentou encontrar os meus sapatos para mos vir calçar, porque queria casar comigo (palavras dele?!). Obvio que estava bêbedo, mas perante o ar sério dele não me contive e desatei a rir!
Depois de ter pegado no bebe dos noivos (cá não é estranho eles terem filhos primeiro) e ter andado a dançar com ele, a avó veio ter comigo a dizer que eu tenho muito jeito para bebés (?!) e que ela tinha um primo, que era muito bom rapaz (e apontou para ele) e que também andava à procura de alguém. Ri-me e pensei... bebés só altos, giros e com mais de 25 anos por favor!
De cada vez que referia que daqui a 2 meses serei doutorada todos pasmavam e me diziam que não era possivel. Primeiro achei que fosse por parecer mais nova (querias...), mas a verdade é que me apercebi que era mais pela minha atitude. Sou quase doutora e misturo-me com o povo (ai c'horror!), não tenho o nariz empinado, não tenho um pau de vassoura espetado no r*** e não faço as pessoas fazerem-me vénias quando me cumprimento. Além disso, como é possivel, que dance descalça, fale que nem uma gralha, e que saiba tirar cerveja (fui elegida a pessoa que melhor sabia tirar cerveja... também com aquela fraca concorrência, que eles não percebiam nada daquilo!), e pior... que beba cerveja!!!

Casamento à polaco - O segundo dia

Depois de um belo passeio, desta vez sozinha, pela cidade de Nowogard (onde foi o casório), lá voltamos ao local da festa. Primeiro almoçou-se e a seguir dançou-se a tarde toda. Já sem banda, mas com umas colunas gigantes e milhentos cd's a festa continuou.
Bebeu-se menos vodka e loucura... havia cerveja e até se abriu uma garrafa de vinho! Como já todos tinham mais confiança comigo, acabei por me divertir ainda mais neste dia. Já todos mais descontraidos mas igualmente animados, não me deixaram estar sentada mais de 10 minutos. Lá perceberam que a portuga até dança e acabei por ser quase tão requisitada como a noiva. Passei pelos braços de tudo quando era rapaz ou senhor. Aliás, constou-me que determinada senhora fez uma cena de ciumes ao marido por andar a dançar comigo. Vim a saber mais tarde que foi a senhora mulher daquele que apalpou 3 no autocarro!
Ficamos todos amigos e no final já nem me apetecia vir embora. Lá voltamos todos no autocarro, mas desta vez já sem vodka e com metade deles a dormir. Fui a primeira a descer, desta vez na minha rua, e de novo quase em coro ouvi "Sara, we love you!".
E foi assim... tipo um pequeno big brother... pessoas que não conhecia, mas que foram "forçadas" a conviver comigo, acabaram por se tornar amigas. Pessoas que não teria conhecido não fossem as circunstâncias e de quem certo modo até sinto saudades. Aquela coisa tão portuguesa...
Os que me conhecem não vão estranhar quando eu disser que fiquei mais amiga dos amigos da noivo, que das amigas da noiva. Coisa estranha por estes lados, já que sou mulher, mas que desta vez até correu bem.

Casamento à polaco - Os jogos

Á meia noite em ponto os convidados reunem-se em volta dos noivos, que se sentam em duas cadeiras no meio da pista. Primeiro as raparigas e depois os rapazes, solteiros, dançam em volta deles. Quando a musica pára a noiva atira o ramo, e mais tarde o noivo a gravata. Quem apanha casará a seguir e tem direito à sua dança (o rapaz e a rapariga que apanharam as coisas).
Poderia ficar por aí... mas não! Os polacos são divertidíssimos e fazem jogos para entreter o pessoal.
Primeiro sentaram os noivos de costas um para o outro, cada um com um cartão vermelho e azul na mão. Ás perguntas que lhe faziam do tipo "quem é o preguiçoso lá em casa" e "quem é que tem sempre dores de cabeça", os noivos tinham que responder se era ela (cartão vermelho) ou ele (azul). Se ambos mostrassem o mesmo cartão, seguiam para a pergunta seguinte, se falhassem, as testemunhas bebiam um shot de vodka. Obvio é que as perguntas foram feitas para serem falhadas e o casal de testemunhas ficou a ver o mundo às voltas depois deste jogo.
A seguir houve o vestir das cuecas da avó, onde o casal mais lento era excluido até se acharem os vencedores e o jogo da familia (ver videos). Neste ultimo cada par tinha um papel (pai, mãe, filho, filhas, sobrinho, pato, elefante), e o locutor lia um texto. Cada vez que se referia a alguma das personagens elas tinham que se levantar, correr em volta dos outros e voltar a sentar-se. Parece simples, mas é de morrer a rir. Principalmente quando eram lidas palavras como todos, pessoas, crianças, animais, onde se levantavam mais que um casal.
Esta parte foi sem dúvida bem melhor que em Portugal, onde nos limitamos a dançar, e a morrer de cansaço (precisamente por não haver pausas), e a ver a pista com meia duzia de gatos pingados. A energia deste povo também foi contagiante e só mesmo o baixo nivel de sangue no alcool fez com que o pessoal começasse a recolher perto das 5h da manhã.

video
videoAlinhar ao centro

Casamento à polaco - A festa

O jantar de casamento e a festa deram-se num espaço proprio para isso nos arredores da cidade. À entrada os pais dos noivos oferecem-lhe um pão salgado, do qual eles devem tirar um pedaço, "molhar" no sal e comer. De seguida bebem um shot de vodka cada um e atiram os copos para trás das costas, que se devem partir, em sinal de boa sorte. Já la dentro os convidados felicitaram os noivos e presentearam-nos. Achei curioso no convite vir escrito em letras pequenas que não precisavam de nada e queriam dinheiro. Um pouco rude talvez, mas sem dúvida pratico e directo.
O jantar foi bastante simples, com entrada, um prato e gelado de sobremesa. Durante o resto da noite as travessas de comida não pararam de chegar, sempre com algo diferente e tipicamente polaco. Havia também uma mesa paralela cheia de bolos (hmmm), chá e café. Ou seja, não existem os 5 pratos que há em portugal, mas também não há mesas dos frios e afins. Cada um tem o seu lugar que mantem ao longo da noite e a comida nunca acaba nas mesas. Os empregados não tinham paus enfiados pela espinha acima e até se metiam connosco. Achei que era um estilo mais simples, relaxado e sem tantas mariquices.
Outras das grandes diferenças foi sem duvida o alcool. O unico alcool consumido naquele casamento foi vodka. Não houve aperitivos. Não houve digestivos. Não houve vinho nem cerveja. Vodka à mistura com sumos e cola. Como entre mim e o vodka não há meio termo, pois ou bebo pouco e fico totalmente sobria, ou bebo com os outros e deixo de me lembrar que existo, decidi beber muito mas misturado com ainda mais sumo. Como podem ver resultou, porque me lembro de bastantes detalhes!
Ainda nem tinha comido a sobremesa já os noivos faziam a primeira dança, com coreografia e tudo! Sem parar, lá me limitei a ficar sentadinha no meu canto e a observar os pares na pista. No entanto, com o aumentar dos brindes de vodka fui sendo mais e mais vezes convidada e acabei por me fartar de dançar a noite toda. Achei imensa piada ao estilo de organização. Dançavam-se umas 5 musicas (e toda a gente dançava), e no final a banda tocava então a tipica musica dos casamentos que fala de beber vodka. Aí todos iam para os seus lugares, cantavam aos noivos numa espécie de brinde, bebia-se um shot de vodka e comia-se durante uns 10 minutos. Passado esse tempo a banda voltava a tocar, voltava-se a dançar, e voltava-se a fazer a pausa para cantar, beber e comer. E sempre assim até às 5h da manhã!!!

Casamento à polaco - Na igreja

Fui pela primeira vez a um casamento polaco. No ínicio achei que ia ser meio aborrecido já que apenas conhecia os noivos, que nesse dia iriam andar bastante ocupados, mas a verdade é que adorei!
Tudo começou sábado depois de almoço. Sendo a noiva de uma cidade aqui perto, alugou-se um autocarro para levar o pessoal daqui. Obvio que a animação começou logo aí. Não conhecia uma única pessoa que ia naquele autocarro e ia preparada para dar corda ao meu polaco o mais e melhor que pudesse. Quando o autocarro chegou á minha paragem já ia cheio (eu fui a última). Abriu-se a porta de trás e eu entrei. Mal subi o último degrau ouvi um coro de vozes a quase gritar "Hello Sara"! Fiquei de 300 cores diferentes e ri-me que nem uma perdida. A partir daí a viagem foi uma animação. Ofereciam-me vodka de 5 em 5 minutos. Eles bebiam vodka de 5 em 5 minutos. Cantavam muito. E deviam dizer piadas porque se estavam sempre a rir. Tive a sorte (ou o azar) de ficar sentada ao pé de um dos palhaços da festa (o Zé Manel lá do sitio). Não consegui entender quem era a mulher dele, pois à minha frente agarrou-se e apalpou o rabo a 3 mulheres diferentes, só durante a viagem de 1h!
O autocarro deixou-nos à porta do hotel, onde ficamos uma noite. Troquei as calças de ganga pelo vestido. Os ténis pelo salto alto e lá me encontrei com o resto da malta à porta. Fomos directos para a igreja. Gostei! Não há cá comida na casa da noiva e do noivo. Para quê se a festa é depois? A igreja era pequena, simples e bonita. Tinha um enorme orgão de cauda cujo som combinado com o de um violino enchia a atmosfera. Quando chegamos estava a noiva ao fundo da igreja à espera que todos se sentassem. Toda a gente fez silencio e esperava a musica, mas não havia maneira de a noiva andar. Passaram uns minutos e eu pensei "Mas que raio. Toda a gente calada e tudo pronto e ela não vem? Da maneira como os polacos são com as horas devem estar à espera das horas certas". Dois minutos depois, ouve-se o sino a bater as 18h e depois das baladas começa a música! "Não posso", pensei, "estavam mesmo à espera das 18h". Penso que a cerimonia seja mais ou menos igual.
Há algumas excepções como só haver um casal de testemunhas para os dois, e de em vez de beijinhos se darem apertos de mão. Quando acaba toca então a marcha nupcial (ao inicio foi outra) e os noivos vão até à porta da igreja. Aí esperam que todos saiam e eles são os ultimos, levando com uma chuva de arroz e de moedas! Como as moedas são como um presente é tradição que eles se baixem e as apanhem.
Aos mais distraídos saliento que... não houve fotos na igreja. Nem os convidados ficaram horas à espera que eles saissem. Não! Acaba a cerimonia sai tudo e pronto!